É ingênuo dar por garantidas liberdades que custaram a ser conquistadas

Edição Brasil no EL PAÍS Antonio Muñoz Molina

Já faz mais de quatro anos que viajei a Memphis, no Tennessee, para ver com meus próprios olhos os lugares em que se passaram os últimos dias da vida de Martin Luther King. O downtown de Memphis —equivalente ao que chamamos de centro em uma cidade europeia— conservava em parte a antiga glória fantasmagórica, mas também a deterioração e a ruína irremediáveis. O carro, a casa isolada com jardim, os shopping malls favoreceram durante décadas um abandono dos antigos centros urbanos que só nos últimos tempos começou a se reverter, pelo menos até certo ponto. Estúdios de artistas e designers, restaurantes da moda, lojas de antiguidade ocupam agora espaços industriais e antigas lojas ou oficinas salvos da ruína. Durante muito tempo, os únicos habitantes dos centros urbanos eram os pobres, marginais incluídos. Agora os filhos e netos das classes médias que se mudavam para os subúrbios fugindo da insegurança e da sujeira fazem o caminho inverso e ocupam apartamentos de alto preço em antigos edifícios restaurados, e frequentam as lojas de alimentos orgânicos e os cafés com wifi que substituíram os antigos mercadinhos e oficinas. Os moradores pobres desapareceram sem deixar vestígios. Restaram mendigos pedindo em algumas esquinas e às vezes doentes mentais que gesticulam e falam sozinhos pela rua, dormem em qualquer lugar e acabam com frequência presos, já que não há instituições públicas de saúde mental que os acolham.

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